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Entrevista
José Carlos Bastos
Psicólogo clínico há 25 anos. Psicoterapeuta reichiano e Terapeuta comunitário.
Por que procurar uma terapia?
I.S.E. - O que é uma psicoterapia?
José Carlos Bastos: É um tratamento da vida emocional baseado numa relação terapeuta-paciente, que se inicia com uma entrevista inicial, onde o cliente
fala de seu estado atual, sua demanda e quais suas expectativas de mudanças. O terapeuta por sua vez faz uma avalição que resulta em um diagnóstico e
projeta o futuro deste processo, que se chama prognóstico. É feito contrato onde se firma compromissos e aí se inicia o processo.
I.S.E. - Quais os motivos da procura?
José Carlos Bastos: Os motivos são vários, apesar das pessoas em sua maioria acharem que o motivo para se procurar um psicólogo é um desequilíbrio
mental, por isso se associa facilmente à loucura e ninguém quer ser louco ou aparentar ser. As pessoas tem buscado a terapia por estarem se sentindo
angustiadas, infelizes tanto a nível individual quanto nos relacionamentos, principalmente no casamento. Há muitas reclamações de sintomas como insônia,
depressão, ansiedade, pânico, solidão. Alguns somantizando com grastite, palpitações cardíacas, dores de cabeça, erupções na pele como psoríase, estresse
pós-traumático, transtorno obsessivo-compulsivo, transtorno afetivo bipolar. Problemas de relacionamento de casal e alguns casos mais perigosos como
tentativa de suicídio. Também há pessoas que querem se conhecer melhor e o processo não tem esta conotação de que está tratando uma doença, mas a
terapia também pode ser vivida de forma preventiva e relaxante para quem precisa de um espaço própria para olhar somente para si.
I.S.E. - Por que as pessoas acham que terapia é só para doentes mentais?
José Carlos Bastos: Doença mental é muito relativo, o que é loucura para a nossa sociedade pode não ser para outra cultura. Esse estigma se deve a
própria história da loucura, na Idade Média, o louco era considerado uma personagem sagrada, porque para a caridade medieval, ele participava dos
obscuros poderes da miséria. A partir do século XVII, a miséria é encarada apenas em seu horizonte moral e, assim, se antes o louco era acolhido pela
sociedade, agora ele será excluído, pois ele perturba a ordem do espaço social. Passou a ser tratado quase como um criminoso e os métodos usados eram
praticamente torturas. Ele passou a ser desprezado e temido pela sociedade, ninguém queria aparentar como tal pois corria o risco de ser aprisionado e
excluído do convívio da sociedade. isto ficou marcado e até hoje a pessoas temem a loucura. Os esquizofrênicos também precisam da psicoterapia para
ajudá-los a ter limites e organizar melhor as suas vidas, mas a terapia não se restringe somente aos doentes mentais.
I.S.E. - Todos precisam de terapia?
José Carlos Bastos: Teoricamente sim, pois todos vivemos em uma sociedade que contraria muito a condição humana e isso ocorre desde o momento em
que um indivíduo é concebido, pois uma gestante necessita de tranquilidade para si e para o feto que começa a ser influenciado pelo mundo externo e quando
nasce a situação piora com todas imposições que agridem à sensibilidade de uma criança, quero dizer que não somos feitos para nascer dentro de um
hospital com todos aquelas luzes, barulhos de instrumentos e pessoas, cherios fortes e distanciamento que o bebê tem de sua mãe, mesmo que por pouco
tempo mas prejudicial e ainda as limpezas evasivas e nitrato de prata nos olhos, em nome da prevenção se cria doenças em outros níveis. Durante a vida
todos seremos bombardeados com regras e incoerências criadas por pessoas neuróticas. Nossa sociedade esta deixando de ser humana e portanto nossa
humanidade esta terrivelmente contaminada e adoecida. A terapia é uma das técnicas que podem ajudar mas certamente há outros meios profissionais, que
quando bem indicados poderão ajudar às pessoas.
I.S.E. - O que é a terapia reichiana?
José Carlos Bastos: É uma das modalidades de terapia existentes, foi criada pelo médico-cientista Wilhelm Reich (1896-1957), dissidente do movimento
psicanalítico, que criou uma terapia que concilia uma análise psíquica e corporal, entendo que o corpo funciona como uma totalidade. Trabalha-se a
expressão emocional como forma de facilitar o acesso ao inconsciente e tem como intuito proporcionar uma mudança estrutural, auxiliando o indivíduo se
aproximar mais da sua espontaneidade. O sintomas que o paciente trás são na verdade uma sinalização de que algo não esta funcionando bem na pessoa,
que na maioria das vezes é um paradoxo na vida interna do paciente que se expressa em uma vida que é contraditória ao seu verdadeiro eu. O nome
cientifico da terapia reichiana é orgonomia.
I.S.E. - Quanto tempo dura um processo terapêutico reichiano? Qual a expectativa das pessoas?
José Carlos Bastos - Por ter esta característica de trabalhar a pessoa de forma mais abrangente, se torna mais rápido a análise e os resultados, porque o
terapeuta reichiano deve estimular a sensibilidade do paciente o tempo todo para que perceba a sua própria condição e através do exercícios que são usados,
se viabiliza a uma reação mais saudável. Nem todos se adaptam, mas uma grande parte das pessoas gostam pelo seu dinamismo, até porque muitos
reclamam quando vão ao psicólogo e ficam falando sozinho na terapia. As pessoas tem a expectativa de que as coisas ocorram quase num passo de mágica.
Apesar da terapia reichiana ser mais acelerada, temos que levar em conta que cada um tem longa história e que sua situação atual é resultado deste trajeto
de vida e cada caso tem suas próprias características. Quanto mais cedo ocorreram as repressões que causaram as pertubações atuais mas difícil é o caso.
I.S.E. - Qual a diferença entre psicólogo e psicoterapeuta?
José Carlos Bastos - Na verdade um é continuidade do outro, pois para ser psicólogo é necessário uma faculdade de psicologia e para ser um
psicoterapeuta é preciso fazer uma formação especializada em uma linha teória-prática, que no meu caso é baseado noa teoria de Wilhem Reich.
I.S.E. - O que é mais gratificante em seus atendimentos?
José Carlos Bastos - Sem dúvida é quando o cliente se dá conta que tem todo o direito de ser feliz e encontra as melhores formas para ter uma vida de mais
qualidade. de forma coerente à sua espontaneidade.
Contato com José Carlos Bastos
e-mail: josecarlosbastos@gigalink.com.br
tel.:(22) 2528-2283 / cel.: (22) 92676652
Entrevista com Sonia Lopes